terça-feira, 5 de abril de 2011

RELAÇÃO DOS MEMBROS DO CONSELHO FEDERAL DOS MASSAGISTAS DO BRASIL

Local: SALVADOR
RELAÇÃO DOS FILIADOS AO CONSELHO FEDERAL DOS MASSAGISTAS MEMBROS ATUALMENTE ATIVOS Postado por franklin ferreira de souza em 29 junho 2010 às 1:00 Exibir Meu Blog Opções administrativas Apresentar Editar mensagem Editar suas tags Excluir mensagem Editar postagens no blog Relação dos Filiados ao Conselho Federal dos Massagistas MEMBROS ATUALMENTE ATIVOS CFMa -


001/08 JOSE AUGUSTO MACIEL TORRES
002- FRANKLIN FERREIRA DE SOUZA
003- ADEMAR FELIPE DO NASCIMENTO GHISSONI
004- MARIA FERNANDES COSTA
005-MARIA HILDA SANTANA CALAZANS
006- RENILDA FERREIRA DE ARAUJO
007- ALINE ROCHA DE SÁ
008- ELIANA DE JESUS CARDOSO
009- VANUSA MACHADO NERY
010- MARLENE NERY DOS SANTOS COSTA
011- JOÃO MARIO NERY DOS SANTOS
012- LUIZ CAMILO DOS SANTOS FONSECA
013- ANA MARIA SANTOS SILVA
014- MARIA PUREZA MARINHO
015- MARIA ELIZABETE DE SOUZA SOTELINO
016- MARIA CLARICE RODRIGUES DA SILVA
017- MARIA DE LOURDES RIBEIRO NASCIMENTO
018- ANDRÉA CARINE DO ESPIRITO SANTO SOUZA
019- ELIANA MOREIRA PAIXÃO DE SOUZA
020- OSMILSON SANTOS SILVA
021- MARIA MARTA DOS SANTOS CHAGAS
022- JORGE ALVES SILVA
023- MARIO RABELO BARROS
024- ROSE LANDIA SANTOS SANTANA
025- IVONETE SOUZA DOS SANTOS
026- JOSELAINE SILVA SANTOS
027- WENDEL COSTA SANTANA
028- ROSIVANE ROCHA DA SILVA
029- CESAR GILABERTE
030- FARAH ALC NTARA GALLO
031- SHIRLEI BASTOS DA SILVA
032- JAQUISON MASCARANHAS RIBEIRO
033- ISLANDIA BRITO DE FIGUEIREDO
034- VERA LÚCIA FERREIRA DE OLIVEIRA
035- MARILUCE MELO DOS SANTOS
036- AILTON TAVARES SOUZA
037- HONORINA CERQUEIRA DA SILVA
038- IZABEL MORAES RIGAUD
039- MARIA NEUZA JESUS SOUZA
040- INGRID LILIAN KUENTZER
041- MARIA JEANE GUEDES ALVES
042- LISNAIA DQS SANTOS SOUZA
043- RITA DE CASSIA J EREMIAS DOS SANTOS PEIXOTO
044- ALINE PIRES FERNANDES
045- AVANILDA DA CONCEIÇÃO
046- REINALDO LEONARDI
047- JUCILENE DE ALMEIDA ALVES
048- ANDRE CARLOS SOUZA SOTELINO
049- CRISTIANE DOS SANTOS OLIVEIRA
050- ÂNGELA MARIA SILVA DOS SANTOS
051- JOSE JAIRO DANTAS BARRETO
052- LUCIANA FRANÇA BARRETO
053- VALNEY ALVES DA SILVA
054- MARCOS OLIVEIRA FERREIRA DOS SANTOS
055- JUCIARA SANTOS BOMFIM
056- JARDAS BOMFIM BATISTA
057- DERMIVAL DA CRUZ SANTOS
058- EHLIDA DE OLIVEIRA ROSA
059- NAIR CERQUEIRA DE JESUS
060- RITA ACASSIA FREIRE SILVA
061- IRIS MERCURI PEDREIRA FRANCO
062- MÔNICA B. SANTOS
063- MILENE SILVA GUSMÃO
064- SUELI MARIA DA CONCEIÇÃO DOS SANTOS
065- LUCIANA SANTIAGO DE SOUZA
066- GABRIEL ROSA DA ROCHA
067- REGINA DE FÁTIMA PERES DOS SANTOS
068- JOSETE CONCEIÇAO ALMEIDA
069- JORGE CARLOS TRINDADE REIS
070- VALNISIA RITA MARQUES SANTOS
071- ELISANGELA DA SILVA ALVES
072- TANIA LUCIA BAHIA DE OLIVEIRA
073- MEIRILANE BARBOSA DE LIMA

074- SUZANA OLIVEIRA POLITIKO
075- RENAN IVO FERREIRA
076- AUGUSTO DOS SANTOS SAMPAIO
077- JUCELIA NASCIMENTO LIMA
078- DENISE DOS SANTOS BATISTA BENTO
079- DIEGO GONÇALVES MACHADO
080- LENICE DE S. SANTANA
081- CELESTE MARIA DA SILVA
082- SARA MARIA SANTOS CONCEIÇÃO
083- EMILSON RODRIGUES SANTOS FILHO
084- ANTONIO CARLOS BRANDÃO SOUSA
085- GUSTAVO SANTOS NUNES SENA
086- MAURA TATIANA BEZERRA PITHON
087- BRUNO SÁ GLÓRIA DOS SANTOS
088-ANA MARIA SANTOS DE JESUS VALIDADE NOVEMBRO DE 2009
089-AGENOR GOMES COUTINHO NETO VALIDADE NOVEMBRO DE 2009
090-TALIANA VALERIA ROCHA DE CASTRO "
091-KEILA RAMARA SANTOS TEIXEIRA
CFMA-0092/08- LEONARDO JOSE DA CONCEIÇÃO CARVALHO
CFMA-0093/08- FABRICIO SOARES DIAS PINHEIRO
CFMA-0094/08- GILDETE DO SACRAMENTO NUNES
CFMA-0095/08- ALINE CALMON REIS CFMA-
0096/08-ALEXANDRE DE SÁ ADAMI CFMA
-0097/08-LEONARDO VALADÃO GUTERRES
CFMA-0098/09-BANY SCOVSCK CAVALCANTI DOS SANTOS
CFMA-0099/09-SIMONE NUNES PEREIRA
CFMA-0100/09-MAURA TATIANA BEZERRA PITHON CFMA-
0101/09-ADRIANA ALVES FERNANDES CFMA-
0102/09-HUGO LEONARDO JACQUES GUALTIERI CFMA-
0103/09-MONICA MARY SOUZA DA SILVA CFMA-
0104/09-JOSE RAIMUNDO PINHEIRO CFMA-
0105/09-JEANE SANTANA DE MEDEIROS PAIM
CFMA-0106/09-PRISCILA SILVA BARRETO
CFMA-0107/09-ELISANGELA DA G. VIANA
CFMA-0108/09-CONSUELO LINS DE BRITO
CFMA-0109/09-JOSENICE CALDAS B. DOS SANTOS
CFMA-0110/09-CHRISTIANA B. DA CRUZ SANTOS
CFMA-0111/09-ADRIANA ALVES FERNANDES
CFMA-0112/09-JONES EDUARDO NUNES DA ROCHA
CFMA-0113/09-PAULO CESAR FERREIRA DOS SANTOS
CFMA-0114/09-FELIPE OLIVEIRA PASSOS DA SILVA
CFMA-0115/09-ROGERIO DA COSTA
CFMA-0116/09-LUCAS DAVID GONÇALVES SOUTO
CFMA-0117/09-JOSE SANTOS SOUTO CFMA-
0118/09-MARISA DE SOUZA SOTELINO CARVALHO
CFMA-0119/09-ISLANDIA BRITO DE FIGUEIREDO
CFMA-0120/10-SILVANA MEIRA DE ARAUJO
CFMA-0121/10-ELIANA MOREIRA PAIXÃO DE SOUZA
CFMA-0122/10-MÔNICA NASCIMENTO NOGUEIRA
CFMA-0123/10- MARIA RITA DE ARAUJO FALCÃO
CFMA-0124/10- LUCAS BRENO
CFMA-0125/10- SOPHIA FERREIRA
CFMA-0126/10- EUNICE FERREIRA
CFMA-0127/10- PURCINA FERREIRA
CFMA-0128/10- LIUBINO DE SOUZA
CFMA-0129/10- APARECIDA VANIA SEBEZENKOVAS
CFMA-0130/10- SANDRA BATISTA
CFMA-0131/10- PATRICIA AMARAL DE JESUS
CFMA-0132/10- LUCICLEIDE MOTA SOUZA
CFMA-0133/10- ODALI BEZERRA
CFMA-0134/10- LEUCRECIA NERY VIANA
CFMA-0135/10- EMERSON SOUZA DO CARMO
CFMA-0136/10- NÍVEA MARIA DOS SANTOS NASCIMENTO
CFMA-0137/10- REGINA CELIA DIAS TEIXEIRA
CFMA-0138/10- IVANA CARLA DE ALMEIDA DAJANI
CFMA-0139/10- MARIA DE SOUZA
CFMA-0140/10- EDNAILTON DE SOUZA VIEIRA
CFMA-0141/10- MARILIA DOS SANTOS LIMA
CFMA-0142/10- LÍGIA MENDONÇA DINIZ
CFMA-0143/10- CELESTE DAMASCENO DOS SANTOS
CFMA-0144/10- SARA PEREIRA DOS SANTOS
CFMA-0145/10- GABRIELLA FEITAS OLIVEIRA
CFMA-0146/10- ANÁLIA MARIA GOUVEIA FRANCO
CFMA-0147/10- REGINA GANTOIS FERREIRA
CFMA-0148/10- ANA PAULA FERREIRA DE JESUS
CFMA-0149/10- JOAN MERCÊS DE JESUS
CFMA-0150/10- MARISTELA TRIGUEIROS LIMA
CFMA-0151/10- ALEX DOUGLAS OLIVEIRA LOPES
CFMA-0152B - JULIO CESAR AZEVEDO TRINDADE
CFMA-0152/10- MARIA ANGELA DE SOUZA SOTELINO
CFMA-0153/10- MARIA DA GLÓRIA DE CARVALHO SANTOS
CFMA-0153B - ANA PAULA SOARES DOS SANTOS
CFMA-0153C- CRISTIANA DOS SANTOS NOBRE QUEIROZ
CFMA-0154/10- RITA DE CACIA LIMA SANTOS
CFMA-0154B - MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO L. MARUPAMA
CFMA-0155/10- ALESSANDRO CARVALHO BRANDÃO CORREIA
CFMA-0155B- EDNEIDE SANTOS DE OLIVEIRA
CFMA-0156/10- ADRIANO ALMEIDA ABREU SILVA
CFMA-0157/10- CARLOS CORREIA DE OLIVEIRA
CFMA-0158/10- JAQUELINE ARAÚJO DE MELLO
CFMA-0159/10- DRIELLE DA S. SANTOS
CFMA-0160/10- KLEBER DE JESUS SANTOS
CFMA-0161/10- BRUNA PENNA DA SILVA
CFMA-0162/10- DILZA DE JEUS CARDOSO
CFMA-0163/10- ROSALINA DOS SANTOS SILVA
CFMA-0164/10-ADRIANO ALMEIDA ABREU SILVA
CFMA-0165/10-PAULO MOISES JESUS CONCEIÇÃO
CFMA-0166/10-RUTH CARVALHO CFMA-0167/10-LÍVIA DOS SANTOS ALBUQUERQUE

domingo, 6 de fevereiro de 2011

PESQUISA IRÁ USAR ARTEMISININA PRESENTE NA ARTEMISIA ANNUA PARA COMBATER A MALÁRIA








   

Pesquisadores investigam plantas tradicionais da Amazônia em busca de novos medicamentos contra a malária

Esquematização do ciclo da malária adaptado a partir de Richie & Saul.
Raizeiro em área endêmica de malária, com plantas tradicionalmente usadas contra a doença (foto Luzia Helena Carvalho)

O que é a pesquisa

A malária humana, primeira causa de perdas econômicas no mundo, continua endêmica (endemias são doenças que existem constantemente em determinadas regiões) nos trópicos, inclusive no Brasil, onde seu controle depende do tratamento dos casos agudos e da proteção individual contra a picada dos insetos transmissores (os mosquitos anofelinos, chamados também vetores da doença). Não há vacinas disponíveis apesar de muitas estarem em fase de testes pré-clínicos e clínicos, a maioria na África.

Como parte da população dos países em desenvolvimento utiliza plantas medicinais no tratamento de malária e o desenvolvimento de novos medicamentos sintéticos demanda elevados custos, espera-se que a triagem de extratos e moléculas de plantas selecionadas constitua uma estratégia promissora e menos dispendiosa.


Estima-se em 250.000 o número de espécies vegetais usadas na medicina popular em todo o mundo. Menos de 10% delas tem sua atividade farmacológica e bioquímica estudada. Compostos ativos descobertos a partir de produtos naturais podem ser otimizados por meio da química. Foi o caso da artemisinina (ginghaosu), potente antimalárico obtido da planta Artemisia annua, de uso milenar na China. A artemisinina alterada quimicamente resultou em moléculas de baixa toxicidade, eficazes no tratamento da malária grave pelo P. falciparum resistente aos antimaláricos, inclusive na forma cerebral.


A quinina e a artemisina são moléculas derivadas de plantas, respectivamente da Chinchona spp (cujos alcalóides são a quinina, a quinolina, etc) e da Artemisia annua, inspirando a pesquisa de novos antimaláricos com base na etnofarmacologia (ciência que estuda as propriedades fármaco-químicas de produtos tradicionalmente usados pelas culturas ancestrais). A Organização Mundial de Saúde (OMS) incentiva pesquisas de novas drogas terapêuticas a partir de produtos naturais. Para isso apoia o grupo RITAM (Research Iniciative on Tradicional Antimalárial Methods) criado em 1999, na Universidade de Oxford, Inglaterra, e mantém uma Divisão de Pesquisas em Doenças Tropicais.


Outra sustância antimalárica de origem tradicional é a cloroquina, isolada a partir da quinina e posteriormente sintetizada e patenteada por americanos e alemães, além de outros importantes antimaláricos (mefloquina, amodiaquina, etc) denominados esquizonticidas sanguíneos por serem ativos contra as formas de plasmódios (parasitas causadores da malária) no sangue circulante, responsáveis pela febre e outros sintomas. Usada por décadas, a cloroquina, tem alta eficácia, baixo custo e baixa toxicidade, atuando contra todas as espécies de plasmódios, sendo ainda muito usada no tratamento da malária transmitida pelos P. vivax e pelo P. falciparum (gêneros de plasmódios) em regiões onde a resistência à droga ainda não apareceu.


A cloroquina tem sido gradualmente substituída por outros antimaláricos no tratamento da malária causada por cepas resistentes de P. falciparum. Diversas combinações são usadas (antibióticos e antimaláricos tradicionais, quinina e mefloquina, quinina e artemisinina, etc) mas, segundo a OMS, novos compostos são urgentes.


Estudiosos do Laboratório de Malária, do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), órgão da Fundação Oswaldo Cruz sediado em Belo Horizonte, usam, desde os anos 80, a abordagem etnofarmacológica na busca de novos antimaláricos. Eles adotaram esta abordagem depois de terem testado sem maiores sucessos cerca de 300 extratos brutos de plantas não selecionadas, enviadas pelos Núcleos de Pesquisa de Produtos Naturais, na malária de roedores, a maioria inativa contra parasitas da malária.


Através da abordagem etnofarmacológica, esses pesquisadores identificaram cerca de 150 espécies citadas na literatura brasileira ou por populações da Amazônia, para tratamento de febre, malária e problemas hepáticos. Foram testados, com resultados promissores, extratos brutos de mais de 50 plantas medicinais, tendo suas frações semi-purificadas e suas moléculas isoladas.


Na presente pesquisa os cientistas estudam frações e moléculas de plantas medicinais com intensa atividade antimalárica experimental em laboratório, com ênfase nas espécies Bidens pilosa (vulgo picão preto), Cecropia sp (vulga embaúba), Alomyia (vulga mata-pasto) e outras. São realizados testes in vivo (isto é, com cobaias) contra o P. berghei e in vitro (isto é, laboratoriais) em cultivos do parasita humano, o P. falciparum, visando realizar em larga escala estudos com extratos e moléculas modificadas (do lapachol, da artemisinina, de lignanas, de flavonóides), em colaboração com químicos e fitoquímicos.


O projeto também permite o treinamento de pessoal em diversos níveis, de iniciação científica até o doutorado, nas várias áreas de estudo (biologia, fitologia, fitoquímica, parasitologia, química etc.).


Os compostos mais ativos e de baixa toxicidade deverão levar a substâncias destinadas a testes pré-clinicos como novos antimaláricos. Drogas tradicionalmente usadas como profiláticas (isto é, preventivas da malária), serão testadas em relação à sua atividade esquizonticida tecidual. Isso quer dizer que será testada a eficiência destas drogas contra as formas hepáticas (isto é do fígado) do parasita, que após serem inoculadas pelos mosquitos no hospedeiro vertebrado, como esporozoitas (forma infectante do parasita), passam a multiplicar-se por esquizogonia. Para esses teste o grupo tem usado mosquitos Aedes fluviatilis alimentados em aves (galinhas) infectadas com P. gallinaceum (agente da malária em aves mantida no laboratório) e mais recentemente em camundongos inoculados com esporozoítas obtidos de mosquitos anofelinos, numa recente colaboração com o Laboratório de Malária da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.


Espera-se esclarecer com esse modelo se a planta “cerveja do índio” (Ampeloziziphus amazonicus, Fam. Rhamnaceae), usada como profilático no tratamento da malária por algumas populações amazônicas, de fato atua contra as formas iniciais de desenvolvimento dos esporozoítas in vivo. Em numerosos testes anteriores o grupo do Centro de Pesquisas René Rachou já demonstrou que extratos dessa planta são inativos contra as formas sanguíneas da doença, em roedores, em aves, e contra parasitas humanos in vitro.


Colaboram neste projeto os alunos bolsistas do CNPq Valter Ferreira de Andrade Neto/UFMG, Maria Gabrielle L. Rocha/PIBIC e Pedro Autran e, os pesquisadores Luzia Helena de Carvalho/CPQRR/FIOCRUZ, Maria das Graças Lins Brandão/UFMG, Carlos L. Zani/CPqRR/Fiocruz, Tânia Alves/CPqRR/Fiocruz, Marília Oliveira Fonseca Goulart/UFAL, Euzébio Santana Goulart/UFAL e Lúcia Maria Xavier Lopes/UNESP.


Como é feita a pesquisa

Os cientistas realizam inicialmente suas experiências de quimioterapia antimalárica in vitro, isto é, cultivando linhagens do parasita P. falciparum mais resistentes às drogas tradicionais, e submetendo-as ao contato com a cloroquina em paralelo com os diversos compostos e moléculas novas a serem testadas. O crescimento do parasita é avaliado por microscopia ótica, anotando-se os resultados do crescimento com e sem drogas.

A etapa seguinte consiste de testes de quimioterapia antimalárica in vivo, isto é, com cobaias, camundongos infectados com P. berghei ou aves com P. gallinaceum. Para alguns compostos mais ativos espera-se poder conduzir testes também em macacos da espécie Saimiri sciureus, suscetíveis à infecção com o parasita humano P. falciparum. Tais experiências são previamente aprovadas pelo Comitê de Ética para uso de animais da FIOCRUZ.


Também estão sendo realizados novos estudos da planta cerveja-de-índio, usada como profilático contra a malária por populações ribeirinhas na Amazônia. Para isso extratos e frações da espécie A. amazonicus estão sendo testadas em aves e camundongos inoculados com esporozoítas, que são as formas infectantes presentes no inseto vetor (mosquito).


Os cientistas testam a atividade antimalárica de extratos brutos, frações semi-purificadas e moléculas obtidas por síntese enviadas por seus colaboradores, fitoquímicos e químicos de diversas da FIOCRUZ e de Universidades brasileiras (UFMG, UFAL, UNICAMP, UNESP, UFRJ, entre outras). Os extratos brutos mais promissores são das plantas Bidens pilosa (silvestre e cultivada), da espécie Alomia myriadenia e da espécie Cecropia sp por terem se mostrado muito ativos in vivo e in vitro. A tabela em anexo fornece uma listagem das plantas testadas no laboratório que mostraram maior atividade, com seus nomes populares. Atualmente os pesquisadores estudam moléculas obtidas por sínteses e/ou modificações de numerosas plantas, incluindo alcalóides, de lignanas (componentes da madeira) isoladas da planta Holostylis sp e com flavonóides de algumas leguminosas.


Serão realizadas análises das propriedades químicas da planta Bidens pilosa, pelos colaboradores fitoquímicos, bem como de sua toxicidade. Nestes testes serão contabilizadas as mortes de camundongos ou de culturas de células após administração de doses elevadas dos extratos e das moléculas produzidas durante a pesquisa, além de outras análises estatísticas.


Importância da pesquisa

A presente pesquisa permitirá implantar uma metodologia para testar antimaláricos in vitro em larga escala, visando atender à grande demanda nacional de químicos interessados em produtos naturais. Os testes de extratos, frações ou moléculas obtidas de plantas constituem uma pesquisa multidisciplinar e multiinstitucional de grande alcance, cuja principal meta é encontrar extratos com atividade in vivo e in vitro, de modo a produzir fitoterápicos e isolar moléculas ativas para substituir a cloroquina no tratamento das formas resistentes do P. falciparum, comuns na Amazônia brasileira.

Estes estudos poderão resultar em pedidos de patentes de derivados do lapachol, das lignanas, e de flavonóides com comprovada eficácia contra a malária. Espera-se encontrar protótipos para novos antimaláricos que possam passar para a fase de testes em primatas e testes pré-clínicos em voluntários humanos no futuro. Além disso, a pesquisa tem grande importância na formação de pessoal altamente especializado. Nesse campo há uma premente necessidade de mão de obra qualificada que pode ser imediatamente aproveitada, no nível de graduação, técnico e de segundo grau, e na indústria.


A mais importante, entre as possíveis repercussões da pesquisa é a possibilidade de desenvolver novos medicamentos antimaláricos, visando substituir a cloroquina no tratamento da malária resistente.


Texto de divulgação científica publicado em 16 de março de 2004.
Pesquisador(es) Responsável(eis)
Antoniana Ursine Krettli

Título do trabalho acadêmico
Busca de novos antimaláricos a partir de plantas ativas e de moléculas correlatas
Fonte(s) Financiadora(s)
CNPq, FAPEMIG
Sugestões de leitura
Site:

Casos de Malária no Brasil. Fundação Nacional da Saúde, Ministério da Saúde, 2002
www.funasa.gov.br

Artigos:

A Pesquisa da Malária no Brasil, de Antoniana U. Krettli, Revista Ciência Hoje, 1998

Plantas brasileiras alternativas no tratamento da malária, de Antoniana U. Krettli e outros, revista Ciência Hoje, 1997

Vacina contra a malária: otimismo com cautela, de Antoniana U. Krettli, Revista Ciência Hoje, 1996

Nova metodologia ajuda no tratamento da malária, de Antoniana U. Krettli, Revista Ciência Hoje, 1993

Antimaláricos de uso popular na Amazônia, de Antoniana U. Krettli, Brandão M.G.L. e Carvalho L. H., Revista Ciência Hoje, 1991

Malária humana: situação atual, problemas de diagnóstico e imunidade, de Antoniana U. Krettli e Fontes C. J. F., Revista Ciência e Cultura, 1990